Viver sob pressão social!

May 26, 2016




Estava eu a tomar duche e a pensar nas minhas ideias para o blog... como sabe é preciso desenvolver esta casa, que nem sempre é fácil de alimentar. Por vezes, escasseiam-se as  ideias! E é geralmente no banho ou antes de adormecer que me vão surgindo sugestões, sempre quando não tenho nem caderno, nem lápis à mão para escrever as frases poéticas que me vêm à cabeça. Cá me despachei para vir ao computador desenvolver algo que há muito tinha em mente, mas não sabia como introduzir, e hoje cá está o tema com sentido e bem sentido! 

Como sabe viver em sociedade é viver de permanências pressões, de tudo e de todos. Muitas vezes vemo-nos submetidos a pressões sociais sem com a intenção dessa, mas numa fase de maior fragilidade nossa, essa acaba por nos ferir mais ainda.

Somos pressionados quando...

#ainda estamos a estudar e perguntam-nos: "quando entras na universidade??" "que curso vais escolher??" 

#estamos na faculdade e perguntam-te: "estás a conseguir fazer o curso" "no meu tempo era mais difícil" "olha que não há trabalho" "isto está mauuuu"

#entras ou quase no mundo do trabalho é: "já arranjaste emprego?!" "estás a trabalharrr" 

#estás mais inchada e ouves: "estás grávida?!!!" (que cena!!)

#estás mais gordo ou mais magra...

#tens namorado e perguntam: "vão viver juntos??!!" "vão casar?" "quando pensam em juntar os trapinhos??!" (só falta perguntar "dormes com ele??!!")

#já trabalhas e perguntam-te: "vais comprar casa??!!" (hã??!!)

#estás no desemprego: "já tens novidades?!" "o que fazes dos teus dias" "já arranjaste alguma coisa"... "Eu faria qualquer coisa" (sim, sim claro!!)

#já passas dos 30 e ouves: NÃO PENSAS EM TER FILHOS??!?!! "ui já vais tarde" (wtf)

#tens um filho e questionam-te: "não pensas no segundo??!!" (cruzes, não há pachorra)


#vens viver para o estrangeiro e ouves: "já arranjaste trabalho?!?!" (meu maior trauma)


#vens viver para o estrangeiro e pressionam-te: "atão já falas a língua??!!" (outro trauma)


Posto isso, ponham a acentuação, entoação e mímica das pessoas!! É nesse momento que fico fixa a olhar e nem sei o que responder... 

Curiosidades, meras cusquices ou ainda conversas de café, a verdade é que há perguntas que me assombraram e muito. Já vivi a grande maioria delas... e só vos posso dizer que me deixavam pior do que aquilo que estava... 

Principalmente, quando fiquei desempregada ou quando vim viver para a Alemanha. Foram dois momentos muito sensíveis da minha vida. Mexeram imenso comigo, com a minha pessoa, com o meu ego e com tudo aquilo que tinha conseguido até à presente data. 

Assim que terminei o curso, consegui trabalhar na área, e tirei ensino, por isso podem imaginar o que fui ouvindo ao longo dos 4 anos de curso. "Era uma coitadinha que não iria arranjar trabalhar". Mas não, consegui e sempre me orgulhei disso. Tentei ao máximo, ter a minha autonomia financeira e tirar este peso dos meus pais. Aos 18 anos fui viver longe deles para estudar e logo que terminei o curso fui trabalhar, era o respeito que lhes devia.
Quando me vi desempregada, vivi alguns momentos difíceis, mas a verdade é que tentei sempre dar a volta à situação e fui arranjando objetivos. Tinha de ser, estar parada nunca foi comigo!

Mas há algo que me afetou imenso, ao vir viver fora, saberia que as coisas iriam ser diferentes. Como sabem, fiz as malas para estar com o meu marido, para um curto período (mais ou menos dois anos). Viver longe dele, jamais faria parte dos meus planos, eram 10 anos em cima da mesa e um casamento à vista... Sabia que ao vir para cá, não iria arranjar trabalho facilmente, apesar de todos me dizerem "vais para a Alemanha, vais arranjar trabalho". Mas as coisas não são bem assim... Sabia que tinha de lutar, tinha uma vida de estudo para trás, muito sacrifício meu e dos meus pais, e não me iria enfiar num café (apesar de o ter feito, mas noutras circunstâncias, refiro que não tenho problemas em limpar, cozinhar, etc, apenas tinha de ser justa comigo). Então durante meses fui ouvindo uma certa pressão, talvez perguntas sem maldade, mas que no fundo, magoavam-me imenso. Era uma pressão tremenda sobre o trabalho e sobre a língua. Sentia-me mal por tudo!

Mas na vida há que dar tempo ao tempo...  
E até em pouco tempo, as coisas deram uma grande volta... e tudo foi surgindo, pela minha luta e perseverança. E agradeço todos os dias por isso!! 

Quanto à outra situação, mas esta deixa-me mais irritada, do que chateada, é a questão de ter filho ou não. É uma questão (chata) que toca imenso as mulheres. 
Quem pergunta isso, já se lembrou, que o próprio casal pode não querer?! Que o próprio casal pode estar a tentar e não conseguir?! Que a mulher pode ter vivido um aborto espontâneo?! Nem tudo na vida é linear... nem todos namoram, casam, têm casa e filhos... Cada vida é diferente e vista de modo pessoal. Há que respeitar!

Não nos devemos deixar abalar pela pressão social, há que ser fortes e seguir em frente...

um beijinho repleto de carinho*


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